Ah, número como vos odeio!
Passo minhas tardes de sábado convosco
Estudo sério, sem rodeios
Nem música eu ouço
Me concentro, mentalizo
Após tantos zeros, criei juízo
Escrevo fórmulas no banheiro
ocupando ele inteiro
tantas, mas muitas mesmo
que não dá para ver um fio de cabelo
Rabiscos no estojo,
papéis dobrado no bolso,
entro de vez no seu jogo
Ó, geometria ingrata!
será que tem coisa mais chata
Com seus cubos, diagonais, retas
como é possível nunca achar
as malditas respostas corretas?
A mensagem no celular
diz raiz de três
a minha conta diz raiz
de trezentos e vinte, em vez
Você é devia é pentear seus cachos,
Newton, seu animal,
e não atrapalhar minha vida
antes do natal
Aresta lateral da pirâmide base quadrada,
para que deve ser calculada?
Os faraós lá dormem desde tenra idade
e nunca tiveram tal curiosidade
Análise combinatória, alternos internos
tudo sempre acaba numa conta dos infernos
os irracionais te deixarão louco, já diz o nome
e lembre-se de tratar com zelo
a trigonometria, essa sim é um porre
antes que ela se transforme
no seu pior pesadelo
Apesar de tudo, tenho vestibular
e provas para me torturar
estudarei então, sem rodeios
Ah, números, como vos odeio!



0 Respostas para “Líricas Logarítmicas”